Biografia

Sempre sonhava com coisas loucas. Na época, não existia a possibilidade de eu viajar de avião, mas sonhava muito com isso, o que começou a acontecer concretamente anos depois. Aos 10 anos, fiz um teste vocacional e o resultado indicou aptidão para freira carmelita. Aos 12, fui estudar para ser freira, porém não carmelita. No convento, a experiência não foi muito boa. Não aceitava a forma como as pessoas eram tratadas. As superioras usavam de grosseria e deboche. Faziam isso, porque não eram satisfeitas com elas mesmas. Íamos à missa todos os dias e tínhamos hora para tudo, só que de Deus se falava pouco. Com o tempo acabei abandonando.

Antes de ir para o convento, porém, vivi um drama. Apareceu em minha perna um tumor, que poderia ser fatal. Desesperada, minha mãe fez uma promessa para eu caminhar 24 horas depois da operação. Com 50 pontos na perna, caminhei sem problemas. Os médicos disseram que era um milagre. Acharam na perna um cristal que saiu dos rins, se alojou lá e criou o tumor. Fiquei muitos anos sendo observada a fim de que descobrissem o porquê da cura. Nunca tive mais nada na perna.

Aos 15 anos, quando morava em Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre, houve o caso do sumiço de um menino na vizinhança. Havia um rio próximo e todos da rua se mobilizaram para encontrá-lo. Chamaram a polícia e criou-se o alvoroço. Quando a tia da criança passou pelo meu portão, lhe falei que a criança estava dentro do roupeiro. A mãe da criança escutou e me olhou indignada, achando que era zombaria. Porém, a tia voltou para a casa e encontrou o garoto dormindo dentro do roupeiro.
Depois disso pairou um mistério no ar. Para mim era tudo muito natural. Abria a boca e falava como se fosse qualquer coisa sem importância. Em seguida, esquecia e ia fazer outra coisa.
Na adolescência, as pessoas sempre me procuravam como amiga e conselheira. Sempre fui aquela figura que “segurava a barra” dos outros, contornava a situação, inclusive dos adultos. Só que dentro de mim era uma pessoa muito insatisfeita. Faltava algo, pois misturava meus sentimentos com os das outras pessoas por não administrar a minha telepatia.

Saia , passeava, namorava, ia às festas, e quando chegava em casa, sentia um vazio muito grande, uma coisa sem complemento. O que chamava minha atenção era o fato de não conseguir gostar de ninguém, ter afeto pelas pessoas, como se elas não tivessem muito a dar. Eu, sim, sempre dava muito aos outros, mas não recebia o que precisava. Agora sei que era preciso me achar antes


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