
Cachoeirinha, cidade da Grande Porto Alegre. A criançada vivia brincando na rua. E tinha um rio próximo que era a grande preocupação das mães. Vizinha à minha casa vivia uma família numerosa. Eu estava com meu namoradinho no portão de casa, quando começei a ouvir Dona Ivanilda chamando pelo Arturzinho.
- Artur! Arturzinhooo!
E nada. Aí começou um corre-corre, família, vizinhos, todo mundo procurando o menino. Chamaram polícia, bombeiros, enfim, um verdadeiro pandemônio com todo mundo muito nervoso.
Da porta de minha casa assistia a movimentação aflita das pessoas. Dona Ivanilda perguntou, de sua casa mesmo, se não tínhamos visto o menino e eu do portão, gritei:
- olha dentro do roupeiro, ele está dormindo lá dentro!
A mulher me fuzilou com os olhos. Devia ter achado que eu estava brincando com o desaparecimento do filho. Sem me responder, continuou sua busca. E continuaram procurando. Como não achavam o menino, Dona Ivanilda mandou sua cunhada falar comigo. E eu só repeti o que já havia dito. Ela voltou para casa e acharam o garoto onde eu disse que estava. Abriram a porta do armário, e lá estava o Artuzinho, assustado, e sem entender nada. Entrou para se esconder numa brincadeira de menino e dormiu em cima das roupas.
Dona Ivanilda nunca me procurou para perguntar nada. Talvez tenha achado que eu tivesse passado pela casa dela e visto o garoto no roupeiro apesar de não freqüentar sua casa. Mas ficou um mistério no ar. E para mim, aquilo tudo era muito natural. Abria a boca e falava com se fosse qualquer coisa sem importância, e depois esquecia, ia fazer outra coisa.
Posts: 18
Reply #19 on : Mon January 02, 2012, 15:23:33
Posts: 18
Reply #18 on : Tue September 13, 2011, 18:09:20
Posts: 18
Reply #17 on : Tue September 13, 2011, 15:55:14
Posts: 18
Reply #16 on : Mon September 12, 2011, 16:35:28